As Plantas Sagradas e sua Simbologia nas Principais Religiões

07-12-2011 07:06

 

    No último post eu comentei sobre a visão da ciência a cerca da evolução no uso das plantas medicinais. Dando continuidade a essa sequência, hoje falaremos sobre o significado religioso dos vegetais de vários cultos em diferentes tempos e locais.

 

    Como eu já havia dito, não se sabe exatamente quando o Homem começou a sua relação com a natureza. Se isso aconteceu desde a sua criação/aparição na Terra ou se foi incorporado em seus costumes no decorrer de sua evolução. Mas o que se sabe é que desde que o Homem é Homem, ele cultua a natureza. De uma forma ou outra nós acabamos usando os vegetais em nossos cultos religiosos. Mesmo as religiões mais “eco fóbicas”, como o cristianismo ou o judaísmo, fazem uso em larga escala desse poderoso elemento natural.

 

    Em Eras passadas as plantas mágicas eram tidas como manifestações botânicas dos deuses por suas propriedades extraordinárias, poderes esses queDentre as culturas antigas, os celtas e druidas eram os que mais cultuavam a natureza em todo o seu esplendor. Dos vegetais venerados por eles, o cedro tem um papel significativo. alimentavam e alimentam crenças e superstições no Homem. Para alguns povos essas plantas tinham um caráter mágico e sobrenatural. Muitos deles acreditavam que os vegetais agiam no corpo astral das pessoas e tinham o poder de produzir de fenômenos fisiológicos a paranormais, da paixão ao ódio e da cura de doenças a morte.

 

    Dentre as culturas antigas, os celtas e druidas eram os que mais cultuavam a natureza em todo o seu esplendor. Dos vegetais venerados por eles, o cedro tem um papel significativo. Por ser uma madeira resistente, de aroma suave, de altura e beleza consideráveis, era tido como símbolo da incorruptibilidade, da retidão e de realeza. Não é a toa que Salomão e todos os reis de Israel faziam suas construções reais com cedro, como podemos ver nessa passagem em I Reis 6:

 

11 Então veio a palavra do Senhor a Salomão, dizendo:

12  Quanto a esta casa que tu estás edificando, se andares nos meus estatutos, e executares os meus preceitos, e guardares todos os meus mandamentos, andando neles, confirmarei para contigo a minha palavra, que falei a Davi, teu pai;

13 E habitarei no meio dos filhos de Israel, e não desampararei o meu povo de Israel.

14  Salomão, pois, edificou aquela casa, e a acabou.

15 Também cobriu as paredes da casa por dentro com tábuas de cedro; desde o soalho da casa até e teto, tudo cobriu com madeira por dentro; e cobriu o assoalho da casa com tábuas de cipreste.”

 

    O Carvalho, em todos os tempos e por toda a parte, é sinônimo de força: e essa é claramente a impressão que dá a árvore na idade adulta. Aliás, carvalho e força exprimem-se pela mesma palavra latina: robur, que simboliza tanto a força moral como a força física.  De acordo com certa passagem da obra de Plínio, o Velho, que se apóia sobre a analogia do grego (drus), o nome dos druidas está em relação etimológica com o nome de carvalho; daí resulta a tradução homens de carvalho, que conseguiu se introduzir até mesmo nas obras eruditas modernas. O nome druida é, etimologicamente, o da ciência (dru [u] id — os muitos sábios) e há uma primeira equivalência semântica com o nome do bosque e da árvore (-vid).

 

O cipreste é uma árvore sagrada para numerosos povos. Graças à sua longevidade e à sua verdura persistente, é chamada de árvore da vida (cipreste-tuia). Para os gregos e romanos, estava em comunicação com as divindades do inferno. É a árvore das regiões subterrâneas. E está ligada por isso mesmo ao culto de Plutão, deus dos infernos. Orna, também, os cemitérios. Aborígenes faziam do cipreste um símbolo das virtudes espirituais, porque o cipreste tem muito bom odor, o da santidade.    O cipreste é uma árvore sagrada para numerosos povos. Graças à sua longevidade e à sua verdura persistente, é chamada de árvore da vida (cipreste-tuia). Para os gregos e romanos, estava em comunicação com as divindades do inferno. É a árvore das regiões subterrâneas. E está ligada por isso mesmo ao culto de Plutão, deus dos infernos. Orna, também, os cemitérios. Aborígenes faziam do cipreste um símbolo das virtudes espirituais, porque o cipreste tem muito bom odor, o da santidade.

 

    A mandrágora simboliza a fecundidade, revela o futuro, busca a riqueza (lembrem-se de tudo que Joana D’Arc conseguiu carregando essa raiz numa bolsa). Nas operações mágicas, a mandrágora é sempre tida como elemento masculino, já que ela é em sua forma, masculina e feminina. Na medida em que é provida de uma raiz nutritiva, a mandrágora significa as virtudes curativas e a eficácia espiritual. Mas é um veneno, que pode não ser benéfico se não for sabiamente dosado.

 

    Nas religiões que cercavam a antiga Israel, a videira passava por ser uma árvore sagrada, até mesmo divina, e seu produto, o vinho, como bebida dos deuses. Encontramos um vago eco dessas crenças no Antigo Testamento (Juízes, 9, 13; Deuteronômio, 32, 37 s.). Desde a sua origem o simbolismo da videira adquire um aspecto eminentemente positivo. A videira é, antes de tudo, a propriedade e, assim, a garantia da vida e o que lhe dá o seu valor: um dos bens mais preciosos do homem (1 Reis, 21, 1 s.).

 

    Assim como a oliveira e a videira, a figueira é uma das árvores que simbolizam a abundância. Ela, porém, tem seu aspecto negativo: quando seca torna-se a árvore do mal. A figueira simboliza a ciência religiosa. Jesus amaldiçoa a figueira. Deve-se notar que Jesus se dirige à figueira, ou seja, à ciência que essa árvore representa.

 

    Os incas também usavam plantas nos seus rituais religiosos, onde o Erythroxylum coca e o E. novagranatense (coca) eram consideradas plantas santas e que davam super poderes a quem as usava (pra quem já usou sabe que você fica com uma disposição incrível), estavam sempre presentes nas seções de libertação, sacrifícios e guerras. Elas eram tidas como privilégio da nobreza inca, é claro, até os babacas europeus chegarem aqui e depredarem toda a ritualística. Simbolizavam o “poder dos deuses dado aos homens”, e só os dignos é que tinham a permissão de usá-las.

 

     A lótus sempre foi uma planta sagrada no Oriente. Os egípcios a relacionavam ao Sol. No budismo é símbolo da pureza total. A semente de lótus A lótus sempre foi uma planta sagrada no Oriente. Os egípcios a relacionavam ao Sol. No budismo é símbolo da pureza total. A semente de lótus contém em seu interior uma perfeita miniatura da futura planta, tal como um protótipo espiritual de todas as coisas que existem nos mundos imateriais antes de se manifestarem no plano material.contém em seu interior uma perfeita miniatura da futura planta, tal como um protótipo espiritual de todas as coisas que existem nos mundos imateriais antes de se manifestarem no plano material. A lótus enfia suas raízes na lama e dali retira todo o seu sustento, com sua esplendorosa beleza. Analogicamente as raízes enterradas na terra, representam o corpo físico. As folhas flutuantes no elemento água significam as emoções. A flor inserida no elemento ar significa o intelecto.

 

    E por último e não menos importante destaca-se o bambu no Oriente, como símbolo de persistência, adaptação e humildade, por saber curvar-se perante os maiores ventos sem nunca se quebrar. Também o seu poder de regeneração é incrível, em menos de três anos ele já está pronto para ser cortado e usado. Sendo uma madeira muito resistente para móveis e construções, resguardando é claro sua resistência mecânica. E pros vegetarianos, a sopa ou a salada dos brotos é maravilhosa.

 

    Semana que vem eu deveria escrever sobre as plantas na Bíblia, mas como postarei na véspera de Natal, vou escrever sobre a história de seu maior símbolo: a Árvore de Natal.

    A Paz Reverencial e até a próximo texto!

 

- Irmão Folha Verde

 

Referências:

CHEVALIER, J.; GHEERBRANT, A. DICIONÁRIO DE SÍMBOLOS (MITOS, SONHOS, COSTUMES, GESTOS, FORMAS, FIGURAS, CORES, NÚMEROS). 12. ed., Rio de Janeiro, José Olympio, 1998.

NETO, Pedro Accioly de Sá Peixoto; CAETANO, Luiz Carlos. PLANTAS MEDICINAIS DO POPULAR AO CIÊNTÍFICO. 01 ed., 2005, Ed. UFAL.

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Quando puder aborde algo sobre as plantas á luz do Hinduismo..adorei seu blogger..Grata pela atenção.

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